Paul McCartney hipnotiza São Paulo com show de 3 horas e quase 40 sucessos

Paul McCartney, 76, não está para brincadeira. Ao longo de quase três horas no Allianz Parque em São Paulo, onde se apresentou nesta terça-feira, 26, a partir das 20h45 em ponto, o cantor britânico fez o que quis com a plateia paulistana: conversou, riu, dançou, tocou músicas novas e antigas (ou no meio do caminho, como gosta de dizer) e assistiu a uma multidão completamente hipnotizada cantarolar “ohs” e “ahs” ao seu comando, feito Freddie Mercury no filme Bohemian Rhapsody – ou, muito melhor, feito um Beatle de carne e osso.

Assistir a um show de McCartney é rever mais de 60 anos de História em quase 40 canções, incluindo alguns dos maiores hinos da música pop internacional e outras pérolas que o músico continuou produzindo muito após o fim da banda de Liverpool – e que você provavelmente já ouviu na rádio, mesmo que não seja tão fã. Estar ali significa, também e principalmente, segurar o choro quando as luzes dos celulares tomam conta das arquibancadas e sentir o coração explodir entre “Ob-la-dis” e “Ob-la-das” bem coordenados, num karaokê gigante que só pode ser descrito como uma enorme catarse.

O público é vasto e fiel: as cerca de 48 mil pessoas que lotaram o estádio nesta noite, bem divididas entre jovens de vinte e poucos anos e senhores que já passam bem dos seus sessenta, acompanharam o músico a plenos pulmões em quase toda a sua discografia, com exceção de uma ou outra canção mais recente do álbum Egypt Station, lançado em 2018.

Como já era esperado, o cantor cantou e tocou pela primeira vez ao vivo a canção Back in Brazil, escrita em 2017 durante a última turnê brasileira e integrante de seu novo álbum. A homenagem, porém, não parece ter colado tão bem e os fãs paulistas ficaram distraídos enquanto esperavam pela próxima faixa – que foi a bela Fuh You, do mesmo disco. Depois disso, entrou em cena um combo que começou com Being For the Benefit of Mr. Kite, passou por Band On The Run, Let It Be, Live And Let Die e terminou com Hey Jude.

Quem já tinha ido a outro show de McCartney (essa é a oitava vez dele no Brasil) provavelmente reconheceu algumas frases, brincadeiras ou recursos, como as plaquinhas onde se lê “NaNa”, distribuídas por toda a plateia e erguidas para o grande clímax da noite. Mas a verdade é que o truque não cansa e o público parece não se importar nem um pouco em repetir a performance dos anos anteriores, cada vez com mais empenho. Para quem tem coragem de desgrudar os olhos do palco e olhar em volta, o efeito é impressionante, revela o MSN.

A música de McCartney dispensa apresentações, é claro, mas o que chama a atenção e talvez explique o sucesso do cantor quase 50 anos após o fim dos Beatles é sua paixão inesgotável pelo público. Bem-humorado, o músico se levantou após cada canção para agradecer, quase sempre com algum gesto simpático como um coraçãozinho feito com as mãos ou uma dancinha descontraída.

Ele também aproveitou muitos desses momentos para arriscar frases inteiras em português, muito além dos tradicionais “Obrigados” e “Eu te amo Brazil” que toda estrela internacional se obriga a decorar. “Eu escrevi essa música para minha amada esposa Nancy”, disse, sem grande dificuldade, antes de tocar My Valentine. Também apresentou em português as homenagens a John Lennon (Here Today, introduzida com um “para meu irmão John”) e George Harrison (Something, que tocou num ukulele e dedicou “a seu amigo George”).

Como manda a tradição, o show terminou com o trio Golden Slumbers / Carry That Weight / The End e com a promessa de mais Paul, agora já praticamente íntimo da cidade depois de tantas visitas. “Até a próxima”, se despediu o britânico, deixando o palco sob uma nuvem de fumaça e uma explosão de serpentinas verdes e amarelas, exatamente às 23h30. Até a próxima, Paul.

27/03/2019